Somebody I Used To Know

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Agora a música do momento é Somebody I used to know. Letra muito significativa e forte melodia. O compositor fala de forma profunda sobre o fim de um relacionamento. Começa cantarolando a empolgação do início e a sensação boa de ter escolhido a pessoa certa. Depois, fala como tudo foi mudando, forçando-o a acreditar que o amor é uma dor – não deixa de ser – e que você pode até se viciar numa certa dose de angústia diária que o distanciamento e a solidão a dois trazem. Escreveu com o coração porque a letra é tocante. Apesar da tristeza que emerge das palavras, chega um ponto em que ele até admite estar aliviado por tudo aquilo ter terminado. Devia estar angustiante demais! O interessante é que a música traz uma voz feminina na segunda estrofe, que nos dá a perspectiva da outra pessoa, que não quer viver daquela forma, também se ressente por não ter sido tratada como desejava e percebe-se inconformada por ser culpada de tudo sempre. Toda história tem várias verdades. Mas o ponto alto vem mesmo com o refrão. O pior não é o término, parece que ele já aceitou isso. O que mais o atormenta é ser tratado como um estranho. Ninguém quer ser tratado como um estranho por quem ama ou amou. A gente divide o que há de mais íntimo e valioso em seu coração, às vezes por anos a fio, e, de um dia para o outro, nem cumprimenta quem dormiu ao seu lado e compartilhou nossos sonhos por tanto tempo. Na canção – engraçado – ele não reivindica amor, mas se sente extremamente magoado por ser tratado como um ninguém, como se tudo de tão marcante que viveram nunca tivesse existido. Reclama apenas o direito de ser reconhecido como alguém que teve significado na vida do outro. Não acredita que precise passar por situações tão duras como a opção dela de trocar o número do telefone. E, concordo, não precisa mesmo. Até outro dia dividiam a vida. Como é difícil olhar para quem fez parte de nossa vida como se fosse um transeunte qualquer e apenas lembrar que um dia conhecemos aquela pessoa, sendo agora forçados a esquecer os beijos, os abraços, os planos e as juras de amor ao pé do ouvido. Pior é quando nos tornamos estranhos antes mesmo de terminar a relação. Ou quando optamos por permanecer juntos, mesmo sendo estranhos um para o outro. É mais comum do que se imagina. Nem todo mundo que está junto, divide a vida. Dividir a vida é algo bem mais profundo do que andar de mãos dadas por aí. Quando não há comunhão de vida, existe um faz-de-conta de viver junto, mas o que é dividido mesmo são as contas e a casa, quando muito. O resto já não se divide. Os planos, projetos pessoais, desejos, sorrisos e lágrimas, opiniões, preferências, tudo é vivido solitariamente. Sonegação de informação afetiva dentro de um relacionamento deveria ser crime. Afinal, ninguém se casa para viver só. É um contrassenso. Casar é dividir. De um jeito ou de outro, tornar-se um estranho para quem se ama ou se amou, seja durante ou após a relação, é sempre muitíssimo triste. Mas é uma realidade para todos nós, que mais cedo ou mais tarde, estaremos diante de um estranho que costumávamos conhecer, ou que, de repente, nunca realmente conhecemos.

2 comentários em “Somebody I Used To Know”

  1. Andrezza Frazão - 4 de setembro de 2013 20:51

    Simplesmente encantada com os seus textos!!!!!! Nao conhecia seu site!!!! Parabens, querida!!!! E sucesso !!! Beijos!!!!!!

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    1. Sálvia Haddad - 4 de setembro de 2013 21:18

      Que bom, Andreza!! Desses escritos saiu o livro!!! Lançamento será dia 19/09, na Saraiva do Manauara. Passe lá! Espero por você! Beijosss

      Responder

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