Revisão de Vida

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image O ano está acabando e tenho sentido necessidade de registrar tudo que foi revisto em minha vida nos últimos tempos. Muita coisa já estava fora do lugar, indefinida, flutuando na minha vida há um tempo, sem eu saber ao certo o que fazer. O que ainda parecia estar no lugar saiu com a doença e morte do meu marido, que acabou servindo como razão para arrumar minha casa emocional. Diante de uma tragédia pessoal, muito se relativiza, e, por um tempo, já não sabemos o peso das coisas. Muda também o nosso olhar sobre o mundo, do mais simples ao mais complexo. É preciso rever, agora com os novos olhos, presente do sofrer e do amadurecer. Resolvi tirar tudo da prateleira para limpar, tirar a poeira, jogar fora o que não presta e devolver as coisas a seu devido lugar. Ver o que ficou. Revisitei todas as minhas relações, atuais e passadas, cada momento, cada escolha, o que deu certo, o que não deu. Onde  errei, onde erraram comigo. Não é fácil. Precisei de coragem para perceber que era necessário romper com algumas pessoas e impedir que continuassem endurecendo meu coração. Coragem para enxergar que, por mais que nos sintamos injustiçados e desprestigiados, certas coisas jamais mudarão e aprender a conviver com elas ainda é a melhor saída. O tipo de convivência, isso sim, nós podemos ajustar, porque conviver de perto não é conviver de longe e, quando algo nos aflige e machuca, a distância ainda é a melhor forma de proteção, embora também dolorida. Amizades longas que se foram sem muita explicação. Algumas voltaram e foram recebidas de volta. Outras encontraram o portão do coração já fechado. Movimentos da vida. Quem fica, quem sai. Sem prepotência, apenas revisão mesmo. As partidas compulsórias, aqueles que se foram sem querer ir. Sempre me pergunto o quanto deles em mim ficou, o quanto de mim foi com eles. Ao terminar a limpeza, a casa sempre fica mais vazia porque nem tudo que estava entulhado e dando a impressão de preenchimento realmente fazia diferença. Muita coisa estava ali somente fazendo volume e ocupando espaço, sem utilidade alguma. Olhar a casa arrumada apenas com o que realmente nos é útil – e aqui não falo no sentido utilitário da palavra, mas daquela utilidade que agrega – provoca-nos uma sensação de vazio, de pouco, de solidão. Mas a realidade agora está ali, posta. Pouco ou muito, é com aquilo que se conta. O processo de limpeza e as reflexões a ele subjacentes são bagagens que nos ajudam a escolher melhor e a evitar novos entulhamentos afetivos. Apesar das lágrimas, saimos mais preparados, mais seguros nas escolhas, nas percepçoes e nas opiniões. Fruto do vivido, fruto do sofrido!

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