Paraty e sua festa

Posts

No último final de semana, participei da Festa Literária Internacional de Paraty: cinco dias dedicados inteiramente ao mundo literário e suas questões mais atuais, em debates que vão de relatos de guerra, passando por história, oficinas de poesia, gestão púbica em cultura, e chegando até literatura erótica. E isso tudo discutido por profissionais do quilate de Artur Ávila, Arnaldo Antunes, Boris Fausto, Roberto Pompeu de Toledo, Ana Luisa Escorel, só para citar alguns.

Isso já seria o bastante para se dizer da Flip. Mas isso não é tudo. A estrutura do evento impressiona: a Tenda dos Autores - onde acontece a programação principal - é ampla, confortável, acolhedora, com recursos audiovisuais de ponta, incluindo fone de ouvido para tradução simultânea - e diga-se de passagem, excelente - dos autores estrangeiros, horários britanicamente respeitados, pessoal qualificado para orientar os visitantes, nada de muvuca, nada de barulho, nada de corre-corre.

Quando uma mesa literária inicia, se tem a impressão de que os palestrantes estão falando para meia dúzia de gatos pingados, tamanho é o silencio que impera.

A qualidade dos debates também é de cair o queixo. Os participantes são apresentados, o mediador inicia a mesa contextualizando o tema e a discussão é de tal profundidade em matéria literária, que faz até mesmo alguém minimamente bem instruído, como eu, parecer um aluno recém-alfabetizado no Caminho Feliz.

Há quem não queira ou não possa assistir às mesas literárias de dentro da Tenda, porque os ingressos são pagos. Sem problema algum porque a Flip disponibiliza telões por toda área da feira com centenas de cadeiras bem dispostas para aqueles que estão com o orçamento apertado mas querem assistir seu autor preferido. E não é quebra-galho. A acessibilidade chega a desestimular a compra de ingressos para entrada na Tenda dos Autores. Cultura e gratuidade tem tudo a ver.

Além da programação principal, há ainda na cidade - charmosa como só ela - as chamadas programações paralelas que acontecem fora da Tenda e são organizadas pelos parceiros da FLIP, como por exemplo, Casa Sesc, Casa Folha (Folha de São Paulo), Casa IMS (Instituto Moreira Sales), todas com uma agenda genial de shows e debates.

O stand da Livraria da Travessa é um show à parte: completo, interativo, inspirador. Eu, claro, comprei livros para esta e para a minha próxima vida, just in case.

O que mais? O mais ainda não sei porque cheguei há pouco e não me debrucei sobre o material coletado por lá com meus olhos, minha caneta e rabiscos, meus ouvidos, meu olfato, meu encantamento. O mais virá aos poucos. Mas de antemão ultimo: se gosta de literatura, vá à festa de Paraty.

Um comentário em “Paraty e sua festa”

  1. Sigrid Edwards - 5 de agosto de 2015 17:57

    Há de chegar o dia que ainda iremos juntas a Paraty

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *