Nossa Paz

Essa semana li algo que me fez refletir e divido com vocês a leitura e a reflexão: não permita que o comportamento dos outros tire sua paz. Onde li dizia que eram palavras de Dalai Lama. Pode ser. Mas nem me certifiquei acerca da autoria porque quem quer que tenha dito isso nos legou uma lição. Lição quase impossível de aprender, mas ainda assim… lição.
Não permitir que as escolhas do outro tirem nossa paz interior. Mas como viver isso se todos os dias somos bombardeados pelas atitudes dos que nos cercam?

No relacionamento em casa, quando alguém fala ou faz algo que nos fere; na vida profissional, quando somos apontados por outros; na vida afetiva, quando alguém age de forma desleal e amarga; transitando pelas ruas, quando alguém acha que sua pressa justifica passar o sinal vermelho; até no caixa do banco, que pode optar em ser atencioso e diligente ou preguiçoso e descompromissado.

A todo momento esbarramos no comportamento alheio. E ele nos atinge, impossível que não seja assim. Seria maravilhoso poder olhar para os outros em suas inúmeras e diárias atitudes e nem por um instante perder a compostura. Não perder a paz. Carregar dentro de si a certeza de nossas razões e a precariedade da avaliação do outro que com nossas circunstâncias não se depara.

Ver tudo isso e não retrucar, não cobrar, não se revoltar, não se importar. Proposta até indecente, eu diria. Porque se relacionar é se importar. E todos nós vivemos numa imensa relação entre nós mesmos e com o mundo. Então acredito que o comportamento das pessoas terá sempre a capacidade sim, de tirar a nossa paz. Não nas pequenas coisas, claro, mas de um modo geral.

Quem decidiu acender um artefato pirotécnico na boate Kiss, no sul do Brasil, fez uma escolha. E como não ter sua paz arrancada com as consequências daquela escolha, ainda que more longe e que não tenha relação alguma com nenhum dos que naquele dia se foram? Impossível.
Nossa humanidade nos liga. E naquele dia, todo mundo ficou sem paz.

Então a lição é válida para o superficial, mas não é viável na prática de nossas relações, porque sempre estaremos diante do pensamento, da atitude e das decisões do outro, que de uma forma ou de outra, irá repercutir em nós. Estamos à mercê de nós mesmos.

5 comments on “Nossa Paz

  1. Extremamente apropriadas tuas ponderações porque só quem vive na indiferença é que não se deixa atingir. Como tu pontuaste:
    “Porque se relacionar é se importar.”

  2. Salvia e Edu, de fato, penso ser impossível levar essa frase ao pé da letra, por tudo o q vcs já falaram! Inclusive, na faculfade, aprendemos que o juiz deve ser imparcial, mas nunca será neutro! No entanto, acho q quem falou a frase tinha a intenção q fôssemos menos implacáveis com as pessoas e acontecimentos, para nao perder nosso eixo! Tenho amigos, muitos, por sinal, temos amigos, que possuem um senso de justiça muito forte e que, por vezes, exasperam! E não falo de situações q seriam de indignar a todos nós, mas, algumas vezes, são situações q poderiam ser resolvidas sem uma manifestação tão veemente a ponto de tirar a paz do seu defensor! Penso q foi nesse sentido q talvez a expressão tenha surgido, para que não percamos o nosso eixo ainda quando acharmos q estamos corretos. Lembrei de um episódio relatado por amigo, que, num estacionamento de um shoppong da cidade, se indignou, com toda razão, com um jovem q havia parado na vaga de um deficiente e desceu do carro todo faceiro, andando sem nenhuma dificuldade. Qual foi a reação do meu amigo? Se exaltou e xingou de todos os adjetivos possíveis o jovem alegre, que não teve reação a não ser balbuciar:”desculpa, cara, minha mãe quebrou a perna e está numa cadeira de rodas. Estacionei aqui, pois é mais próximo para pegá-la e não havia nenhuma vaga disponível!”. Quando meu amigo observou, a mãe do rapaz olhava assustada a cena da porta do shopping! A sra, de fato, estava em uma cadeira de rodas! Ou seja, meu amigo perdeu a paz, diante de uma situaçao que, se fosse concreta, seria de se indignar, mas nãe era! Resultado, ficou sem paz e com muito peso na consciência! Acho q podemos refletir mais sobre essa expressão, não? Bjs

    • Refletir mais e refletir sempre! Que história interessante! Como somos rápidos para apontar o dedo, não é amiga? Esquecemos de, primeiro, observar as circunstâncias!
      Gostou do site?
      Bjks

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