Nós e a soberba: um caso de amor

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O tema de hoje é recorrente, eu sei, todos os noticiários falam dos últimos acontecimentos gerados pela intolerância, mas não há como escapar, as barbáries de além-mar impõe o assunto em casa, no trabalho, nas redes sociais. O que mais me chama atenção nisso tudo é a soberba humana, mãe da intolerância. Alguém sempre acha que seu ponto de vista – seja sobre que assunto for –automaticamente exclui os demais. A lista de eventos é interminável. Alguém se acha melhor que a Taís Araújo e desfere ataques nas redes sociais porque, diferente dela, ele é branco. Alguém propõe um projeto de lei que determina o que é família, e por acaso, esta família é configurada como a dele. Alguém acredita que a correta interpretação da lei sagrada é a sua e funda um “Estado” para dizimar quem não esteja na sua linha de interpretação. Soberba, soberba e mais soberba. Se tem algo que a maturidade traz é a certeza de que absolutamente tudo é relativo, é subjetivo, e pior – ou melhor – é dinâmico. Somos tão pequenos e acreditamos numa espécie de grandeza que nos legitima a apontar dedos. Quem é você e quem sou eu para agir com intolerância diante de opções pessoais que diferem da nossa? Como disse outro dia, daqui alguns anos nenhum de nós estará aqui, porque somos pó e ao pó voltaremos. Somos um punhado de pó metido a besta, para usar jargão de minha terra. Sem falar que agora quem vai pagar o pato são os refugiados inocentes. Pelo pecador, pagam os santos. Um ramo de joio vai por a perder a plantação de trigo inteira. As maiores vítimas dos autores dos atentados serão à eles equiparadas. E famílias morrerão. E os ataques continuarão ainda que o fluxo migratório seja contido. Eu já estou agradecendo aos céus meus 38 anos, porque devo ter mais uns 30 pela frente e não estarei viva para ver muito mais atrocidades, alívio me define. A humanidade dá uns passos à frente e vários para trás, evolui para encontrar água em Marte e retrocede para negar acolhimento a refugiados de guerra. Evolui para vermos um presidente americano negro e retrocede aos xingamentos conta Taís. A gente está caminhando em que direção? Eu já me perdi faz tempo. Reflitamos. Reflitamos sobre o que está ao nosso alcance, nossas pequenas intolerâncias do dia-a-dia, nossos rancores pessoais e nossa atitude de soberba. É o que nos resta: avaliar qual a nossa participação – ainda que diminuta – nos ataques às torres gêmeas e nos atentados de Paris, entre tantos outros.

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