Nesse outro dia

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E um dia a gente se apaixona. Elege alguém Projeta virtudes admiráveis Descobre veneráveis defeitos.   Nesse dia, a gente se oferece tanto que até transborda Promete aparar arestas e ser paciente Abrimos portas e janelas Sempre uma brecha por onde o sol possa entrar.   Nesse dia, a gente sonha Simplesmente pensa que merece. Nesse dia, não se enxerga mais com clareza Já não discerne situações Há sempre uma névoa a turvar nossos sentidos.   E então, noutro dia, que não aquele Noutro dia bem diferente daquele A gente descobre que as pessoas seguem seu caminho mesmo deixando um coração para trás.   Nesse outro dia você se pergunta o que faltou E descobre que ninguém pensou em você Que ninguém viu o que tinha por dentro   Nesse outro dia, você descobre que sua paciência Penhorada tão fielmente, não contou E que apesar das portas e janelas abertas O sol não entrou.   Nesse outro dia, você descobre que não se trata de merecimento. E você deseja apenas aprender, de uma vez por todas a como não estar mais tão vulnerável Nesse outro dia, apenas nesse outro dia.

2 comentários em “Nesse outro dia”

  1. Frsncisco Christo - 27 de outubro de 2015 14:23

    “O poeta é um fingidor,
    Finge tanto ,
    Que finge a dor ,
    Que deveras sente”
    Fernando Pessoa

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    1. salvia - 27 de outubro de 2015 15:47

      Pessoa é poeta que nos faz calar. Já viu o documentário “O vento lá fora”? Imperdível, Francisco. Prof. Berardinelle e Bethânia declamando Pessoa.

      Responder

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