Divertida Mente

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Nessa semana que passou estreou no cinema a nova animação da Pixar: Divertida Mente. O trocadilho do nome revela o tema do filme: trata da mente humana, o que há de mais complexo, de uma forma divertida.

O longa chega a ser um épico se considerarmos sua essência psicológica. Não costumamos ver a questão psicológica e seus conflitos ser tema, muito menos ganhar o papel de protagonista, e nisso - arrisco dizer - Divertida Mente é pioneiro.

O filme enfoca a vida da menina Riley que chega à adolescência enfrentando uma mudança brusca em sua vida, quando os sentimentos - Raiva, Alegria, Medo, Tristeza e Nojinho - podem se misturar dentro da gente. E isso, aliás, pode acontecer em qualquer momento da vida.

A mudança de cidade abre espaço para uma difícil fase de adaptação na vida de Riley. Sem espaço para manifestar sua Tristeza, quem assume o controle é o Medo e a Raiva, fazendo as coisas desandarem de vez.

Na tentativa de retornar à sala de controle depois de um acidente, Alegria e Tristeza andam por toda a mente de Riley. E quando já estamos completamente encantados com a forma lúdica e colorida de apresentar nossas memórias e emoções - eis que o filme se supera: o trem do pensamento, as estruturas que alicercam nossa personalidade, o mundo do abstrato, o parque das fantasias, o inconsciente. Isso mesmo - pasmem - Freud está em Divertida Mente.

Enquanto busca o caminho de volta para o comando, a Alegria faz a grande descoberta do filme: não adianta querer ela estar sempre à frente, porque em certos momentos da vida, quem deve operar a sala de controle é mesmo a Tristeza. Quando não damos o devido espaço para que a Tristeza se manifeste, a Raiva e o Medo tomam conta, trazendo confusão e enormes prejuízos afetivos.

A Tristeza, no final das contas, ganha status de personagem principal, ela mesma, que nunca é bem-vinda, que chega e a gente logo afugenta.

E após essa incrível viagem por dentro de nós mesmos, o filme encerra com mensagem das mais profundas: realça a incapacidade do ser humano de lidar com os baixos da vida, da falta de espaço para manifestação de nossas tristezas, da obsessão equivocada pela alegria na recusa em lidar com a dor, com a derrota, que tem - inclusive - papel fundamental para nossa maturidade emocional.

Moral da história? E viva a Tristeza!

2 comentários em “Divertida Mente”

  1. Sigrid Edwards - 5 de agosto de 2015 17:52

    Amei o post e o filme também Fiz minha estréia no cine infantil ☺️

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    1. salvia - 7 de agosto de 2015 09:24

      Sig, estréia em grande estilo! Um dos melhores dos últimos tempos. Beijos

      Responder

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