Cuidado em Comprimidos

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O ser humano nasce frágil e dependente. E suspeito que, embora não pareça, permanece assim até o final. E esta fragilidade humana reclama cuidado.

Na infância, os pais por excelência são os provedores dessa necessidade de ser cuidado. Outros podem vir a substituí-los sem problemas, mais importante que o ‘quem’ é o ‘se’ esta necessidade é atendida.

A infância passa, mas não passa a vontade de estar sob as asas de alguém: quem não quer um colo ou um toque reconfortante quando chove na vida? Não me consta que isso seja dispensável em alguma fase da vida.

Mas a verdade é que muitas vezes perdemos isto, a vida e seus movimentos nos retiraram as oportunidades de viver o cuidado: os pais se vão, os filhos crescem, relações desfeitas e acontece do aconchego tornar-se uma lembrança já distante.

Proteção e segurança faz falta. Adoece. Cuidado em cápsulas não seria má ideia: venderia como água e seria como antibiótico para uma infecção – questão de vida ou morte! Mas dedicação e carinho não se vende, não está por aí nas prateleiras das lojas de conveniência , então muitos de nós seguem infeccionados. Doses de zelo e proteção, onde se encontra?

Enquanto o afeto curativo não vem, espera-se, ardendo em febre, carência incômoda que anseia por uma trégua nessa luta sem fim, por um braço que se estenda em nossa direção.

E se não for por merecimento, que seja por caridade: misericórdia sempre foi bom argumento. E se não for o ideal, que seja satisfatório: nem todos são exigentes. E se não for para sempre, que seja por este verão: nem todos desejam a eternidade do outro.

3 comentários em “Cuidado em Comprimidos”

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