Apaixonar-se por si mesmo

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Esta semana decidi fazer uma indicação de leitura. Muitas vezes termino um livro pensando no bem que poderia fazer às pessoas e logo recomendo e divulgo a leitura. Vivo a ânsia de passar ao outro toda a empolgação trazida por aquelas palavras.

Hoje escolhi “Apaixonar-se por si mesmo – O valor imprescindível da autoestima”, de Walter Riso, porque sou encantada com sua forma de escrever sobre afetos. O tema abordado no livro que indicio é uma viagem por aquilo que pensamos de nós mesmos.

A primeira estação é o autoconceito, o que você pensa de si. E logo o Autor revela: “Somos vítimas de nossas próprias decisões: cada um escolhe amar-se ou não, mas nem sempre temos consciência do dano que nos causamos.”

Ele alerta para os males emocionais causados pela autocrítica negativa e pela autoexigência impiedosa, quando utilizamos padrões internos de avaliação inalcançáveis, gerando enorme frustração. A constante autoavaliação negativa alimenta o estresse e invariavelmente afeta nossa saúde mental. O autor propõe estratégias para melhorar o autoconceito: não veja em você só o ruim, não pense mal de si mesmo, elimine a comparação.

A viagem segue para a estação da autoimagem: a ideia que temos de nosso corpo e as avaliações que fazemos dele. É preciso reconhecer que a autoimagem sofre inevitável influência cultural. Claro que o autor não desvaloriza os cuidados pessoais com a beleza e ressalta a importância de sentir-se bem e atraente. O que condena é a beleza física utilizada como medida para o valor do ser humano.

O importante é gostar de si mesmo, ressalta ele. A beleza é também uma atitude e sua autoimagem é transmitida aos outros. Ao final, sugere que descartemos a ideia de perfeição física porque sempre haverá alguém disposto a nos amar.

A próxima parada é o autorreforço, desmistificando crenças de menos-valia arraigadas em nosso inconsciente: não mereço, não sou grande coisa, era meu dever. O autor incentiva o autoelogio como forma de preservar a autoestima.

A paragem final trata da autoeficácia, que é a convicção de sua capacidade, é acreditar no seu sucesso, confiar verdadeiramente em si mesmo. E para vencer a baixa eficácia, alerta: não seja pessimista, não recorde apenas as coisas ruins, não se compare.

A obra é completa, clara e didática. O maior mérito do autor é tratar de um tema complexo, mas conseguir trocá-lo em miúdos, e de quebra, oferecer práticas diárias para trabalhar sua autoestima. Por estarmos tão carentes de amor próprio, penso que esse livro é leitura obrigatória.

Num mundo onde as mulheres seguem as ditas beldades fitness nas redes sociais, visualizando diariamente imagens que remetem à perfeição e permitindo um bombardeio diário ao seu autoconceito, é fácil perceber a quantas anda nossa autoestima. A legenda é sempre a mesma: veja como você não consegue ser como eu.

Num mundo onde a bunda da Paola Oliveira tornou-se o bem mais desejado nos últimos meses, identifico com clareza o mal da comparação, tão bem descrito no livro. Que mulher, depois de ver a fatídica cena da varanda, não correu para o espelho, virou de costas e constatou ser incapaz daquela proeza? Poucas.

As mulheres fazem uso recorrente da comparação – verdadeiro veneno para autoestima – e por isso sentem-se constantemente menos: menos gostosas, menos saradas, menos peitudas, menos bundudas. Somos o nosso próprio algoz! Onde anda o amor próprio e o respeito à nossa história de vida? Tomou Doril.

Como eu dizia outro dia: retire da bela Paola o staff da Globo e o tratamento de imagem inerente à qualquer exposição na mídia atual, entregue a ela a administração de uma casa, emprego, atividade física, horários a cumprir e cuidados com filhos. Por certo ela não teria condições de oferecer tanta dedicação ao seu derrière.

Ela está errada? Não. A profissão escolhida por ela exige isso, trabalhar com a imagem deve ser algo bem exigente mesmo. O erro reside na comparação. O erro está em nossa autoestima que não consegue ver uma imagem desta sem sentir-se incapaz de alguma forma.

A carapuça não me serviu. Eu não pensei em iniciar um ‘projeto Paola Oliveira’ de malhação, porque algo deste tipo me desqualifica como mulher e desconsidera todo meu esforço para ser tudo que eu preciso ser nesta vida, que vai bem além de ser sarada.

Pois bem. O livro permeia tudo isso. Precisamos aprender a transitar no mundo reconhecendo a beleza onde ela existe – na bunda da Paola, por exemplo –, mas sem jamais esquecer de destacar um lugar nosso, unicamente nosso, onde apenas caiba a nossa beleza, que não é e nem será igual à da Paola ou à de ninguém, porque os seres humanos, como quer que sejam, são únicos. Porque a beleza reside na singularidade do ser.

2 comentários em “Apaixonar-se por si mesmo”

  1. Sigrid Edwards - 5 de Maio de 2015 14:05

    Amei! Acredito também que “a beleza reside na singularidade do ser”. É tão cansativo toda essa história de perfeição de corpos e perfeição de vidas. Fico pensando no esgotamento psíquico das pessoas que buscam se tornarem o que se apresenta como perfeição apenas para quererem fazer parte de uma tribo 🙁
    Comparação pra mim só serve se for para progredirmos e não para nos aprisionarmos.
    Massss, parabéns ás pessoas lindas de corpos esculturais conquistados com muito esforço , seja por necessidade do ofício ou porque simplesmente amam, porque não deve ser fácil, hein¿ (Pra mim então …rrsss…que não encaro horas de academia e morro de medo de qualquer agulhada)

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    1. salvia - 5 de Maio de 2015 21:44

      Eu também me sinto incapaz de entrar nessa, Sig!

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