Amizade

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É muito triste, ao longo da vida, constatar como as pessoas deixam de se comprometer com a palavra do bem, que constrói e edifica, para fazer aliança com a palavra do mal, que destrói e distancia. Todo mundo já viveu isso. Palavras e opiniões chegando aos ouvidos de pessoas queridas de forma distorcida. E nem sempre temos a oportunidade ou a disposição de coração - sim, porque a essa altura, já estamos bastante magoados - para jogar luz sobre os acontecimentos e esclarecer o que de fato ocorreu. Às vezes, até temos, mas o outro não tem. Já se contaminou. Se a relação é preciosa, não poderá ficar na escuridão. Mas esclarecer nem sempre é fácil. Conversas sobre afetos são desgastantes, sem falar que nos obrigam a entrar em contato com nosso interior, o que nem sempre é agradável. Por isso a maioria das pessoas foge disso. Às vezes, passam uma vida sem experimentar o sentimento libertador que essas conversas proporcionam. Falar sobre sentimentos, mal-estar, ausência de pontos em comum. Pode ser em qualquer relação: namoro, amizade, casamento, pais e filhos. A vida é feita de escolhas e por mais equilibrada que seja a relação, em algum ponto haverá divergência. A boca fala quando o coração está cheio. Tristezas aqui, frustrações ali, comentários acolá, e pronto, alguém põe veneno no tempero e o que era um desabafo passa a ser ofensa pessoal. Que pena! E o pior é quando há pessoas envolvidas no episódio que nos conhecem bem, mas nem por isso se sentem obrigadas, ainda que por imperativo de consciência, a suscitar o benefício da dúvida. Porque o ser humano, muitas vezes, por várias razões, prefere ver o prédio ruir a vê-lo edificado, ver a maledicência roer sentimentos a levantar a voz e impedir que a palavra do mal seja dita. Pena de novo! Na maioria das vezes, nem há a intenção de ofender, nem de magoar, mas as coisas são postas de forma tal que a mágoa acontece. Depois de refletir, penso também se eu já não fui esse instrumento destruidor de relações. Também eu não me esquivei de falar de sentimentos que deveriam ser postos na mesa, no anseio de me poupar? Também eu não fiz laço, ainda que fugaz, com a palavra do mal? Há de se avaliar. Certo é que, depois de posto o veneno, a comida fica estragada. Nunca é tarde, claro, para jogar fora o que se estragou. Mas precisa disposição e coração aberto para reunir os ingredientes novamente e fazer a receita dar certo. O tempo traz todas as respostas. A disposição e o coração aberto poderão surgir, ou não. Eu sempre espero que sim, em todos os casos, em todas as relações, em qualquer fase da vida, sempre espero que sim. Por diversas razões, mas, principalmente, pelo prazer de ver a palavra do bem triunfar.

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