A ilha

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ilha Um dia, conversava com alguém recém-separado e percebi que vivia aquele inevitável turbilhão de emoções causado pela brusca e doída mudança em toda a dinâmica da sua vida. Logo depois da conversa, me peguei pensando no quanto precisamos implementar  ajustes quando optamos por uma vida a dois. Então, vamos devagar renunciando aqui e acolá na tentativa de ser um nós mais harmônico. Justo! Casa-se para viver a dois mesmo e uma vez unidos, alguns caminhos se abrem ao casal. Um deles é quando o casal, nesse movimento de ajuste, acaba permitindo que um sobreponha-se ao outro, então um termina por dar bem mais que receber, sendo eleito por voto único o ocupante do cargo das concessões. Alguns nem percebem o quanto se distanciaram de si para sustentar a relação. E o casal pode nunca chegar efetivamente a um divórcio. Mas em certo ponto pode ser que tenham de enfrentá-lo e é nessa hora que a porca torce o rabo. O casamento não deu certo e você se dá conta de que está nadando em mar aberto sem uma tábua de salvação, tentando enxergar aqueles coqueiros altos que sinalizarão onde está a ilha do seu eu, de onde você partiu apenas com algumas bóias, que agora parecem ter sido levadas. E aí se pergunta porque se afastou tanto de si mesmo e como poderá agora nadar todo caminho de volta em busca de si mesmo. Os mais apressados, que fatalmente serão os mais novos e os mais sonhadores, perguntarão: mas não devemos renunciar em nome do amor? Sim, meus queridos, devemos! Pero no mucho. Distanciar-se demais de si mesmo pode ser um preço muito alto a se pagar. Perder a identidade é duro e o caminho de volta é tortuoso e escuro. A gente volta tentando identificar naquilo tudo o que é genuinamente nosso, o que nem tanto, o que nunca foi. E haja braçada pra voltar à tal ilha. Depois dessa travessia é difícil ver quem se aventure em mar aberto novamente. Até vai bem ali, mergulha nas redondezas, mas nunca mais perde de vista o limite após o qual se sabe que nadar já não é mais seguro.

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