A Flórida de cada um

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Ontem li sobre uma mulher, que aos 64 anos, nadou por 53 horas de Cuba até a Flórida. Ela foi recordista mundial. Sua história deixou-me impressionada e comentando sobre o assunto, alguém perguntou: - E por que ela fez isso? Boa pergunta! Aquilo ficou ressoando na minha mente. Ela por certo tem seus motivos particulares para ter realizado o admirável feito, afinal motivação é sempre interna e muito pessoal. Mas independente do que a moveu no seu íntimo, ela nos deu uma senhora lição

Um feito dessa magnitude não requer apenas força e resistência física, não é exigente apenas com o corpo, que pode ser treinado. Antes, pede concentração e foco tamanhos, que nem posso imaginar. Isso sem mencionar o preparo e ainda o fato de ter tentado concluir o percurso por duas vezes, sem êxito. Eu continuo a imaginar de quê é feita essa mulher: titânio? Foram 53 horas nadando, aos 64 anos!

Diana, subitamente, retirou de mim o direito de acreditar que não conseguirei realizar o que quer que seja nessa vida. E logo eu que, especialmente nos últimos meses, andava pensando que talvez não pudesse concluir meu mestrado, que talvez não conseguisse finalizar meu curso de italiano, que talvez não conseguisse participar de uma missão humanitária. Todos sonhos acalentados por mim há muito tempo.

Pensava não poder porque trabalho, porque tenho filhos, porque, porque... Os porquês não me faltam, aliás como não faltam a ninguém. Mas Diana acabou com a era dos porquês, com o reinado das justificativas, engavetou minhas desculpas e empurrou-me para os meus sonhos. E eu estou aqui diante deles, sem ter outra opção senão acreditar que, a seu tempo, com o empenho necessário, tudo se tornará realidade.

Diana não atravessou aquela costa apenas por ela, nadou aquelas longas horas por muitos de nós, para que pudesse nos motivar, para nos tirar o direito de desistir. E ela n"ao estava sozinha, porque eu mesma sinto-me agora cruzando aquela costa, nadando aquelas horas e sentindo a dificuldade de cada braçada.

O que distanciava Diana da costa da Flórida eram aquelas braçadas. O que nos me distancia dos meus anseios mais íntimos - que coincidência - também são braçadas. - Ela deu as dela. Eu preciso dar as minhas. Não será na água? Não, não será na água. Mas não importa. Eu terei que atravessar a minha costa, enfrentar mar aberto, correntezas e vento forte.

A minha Flórida não é a mesma de Diana. Mas todos nós temos a nossa: aquele lugar aonde desejamos chegar com toda força de nosso ser. E o que Diana gritou com seu exemplo foi que não importa o quanto possa demorar, 64 minutos, 64 dias ou 64 anos, você pode chegar. E eu, diante dessa eloquente lição, apenas posso responder: sim, senhora!

2 comentários em “A Flórida de cada um”

  1. João Bosco Bader Chamma - 18 de setembro de 2015 18:51

    Salve, Sálvia!!!! Gostei da sua sacada. Todos nós temos os nossos mares, mas nem todos tem a coragem para a travessia. Me parece que sua maré não é mais de lua cheia (mar revolto). Tenho certeza, que suas braçadas entrarão com suavidade nas letras e palavras deste seu oceano. Sua lubrificação intelectual lhe ajudará nos seus kilometros à vencer… E quando sair de ser mar e chegar na sua praia, os pingos que escorrerão do seu eu, contarão a história do seu silêncio no trajeto, posso até me dá a pretensão de dizer que não deverão ser pouca. Boa travessia.

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    1. salvia - 19 de setembro de 2015 12:08

      Obgd pelas palavras, João! Vdd, a travessia nunca é fácil, persistir é preciso! Abços

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